26 outubro 2006
A PREVIDÊNCIA SOCIAL DE UATI. ( VII )

Decorrido o prazo, voltei ao posto e fui atendido pela mesma criatura. Havia algo novo no ar... Várias criaturas se aglomeravam em torno dela; num "entra-e-sai" infindável. Aproximavam-se do pequeno balcão e, apesar de não terem faces, sentia como se perfurassem meu corpo com olhares gelados e irados.
Como sempre, a sala estava cheia de almas que esperavam apreensivas por uma avaliação realista e sincera de suas doenças, para poderem retornar aos seus afazeres ou continuar seus tratamentos sem preocuparem-se com uma repentina execução. Cheguei ao local por volta das seis horas da manhã; fui um dos primeiros. As pessoas eram atendidas em seqüência uma após a outra. As que chegaram antes de mim foram atendidas; as que chegaram depois também; e eu, fui ficando... Novas pessoas chegavam ... e saíam... e eu lá...
Lá pelas doze horas, a criatura citou meu nome e fui levado até a salinha de perícia. A esta altura, a sala e o corredor estavam vazios. Aproximava-se a troca de turno entre os "PERITOS" e as criaturas. Após mais um tempo, a porta da salinha se abriu e o "PERITO" chamou-me.
O ser de órbitas vazias e boca costurada pegou o envelope com meu prontuário e, tocando sua testa enrugada, deu sinais de surpresa. Em minha mente, sua voz arrastada e sofrida batia como um martelo...
.

"- PEDI QUE VOCÊ FOSSE A UMA JUNTA DE PERITOS E VOCÊ NÃO COMPARECEU... - COMO PODE SER?!?"

.

Quando me preparava para explicar o acontecido, entre a criatura da recepção e o "PERITO" que não quis quebrar os votos, a criatura-atendente apareceu por uma porta lateral e comunicou-se com o "PERITO" em tom queixoso:

.

"- SENHOR: É” AQUELE “CASO..."

.

O "PERITO", demonstrando surpresa e apreensão, olhou (pela primeira vez) meus documentos, laudos médicos e exames. Remexeu suas fichas, consultando demoradamente cada uma. Parecia vacilante... preocupado... como se sentisse encurralado. Era visível seu desconforto. Apesar da atmosfera fria, começou a suar... sua boca tentava se abrir (como se quisesse falar algo ou vomitar). Provavelmente, antevia seu fim horrível ao ser obrigado a quebrar o pacto com os "DEUSES BANQ-EIR OZ". Não havia margem para negar-me o benefício baseado na documentação; todos os preceitos para concessão estavam bem determinados pelos meus médicos e pelos exames realizados. Nada poderia ser refutado.
Além disso, o que mais pesava em minha opinião, era o fato das criaturas acharem-se perdidas se as informações que eu tinha "gravado" (na realidade, descobri depois que o aparelho só permitia que eu ouvisse a comunicação entre as criaturas).
No final das contas, o medo do escândalo e das investigações decorrentes do vazamento das "provas" do pacto sinistro, e os "prejuízos" financeiros oriundos disso; levou-o a "sacrificar-se" aprovando meu benefício por "acidente de trabalho" e dando-me as garantias da LEI INTERNACIONAL.
Depois disso, toda vez que era obrigado a retornar ao posto (quase todo mês), nunca mais vi ou fui atendido por aqueles "PERITOS". Eles foram "APOSENTADOS".
E, naquele ano, de cada mil trabalhadores atendidos naquele posto, só um conseguiu o benefício de acidente de trabalho.
Quando a lei em vigor dá, automaticamente, este benefício para trabalhadores em determinadas funções que (histórica e sabidamente) são traumáticas devido aos esforços repetitivos e carga horária escravizante.
Curiosamente,
TODOS os que NÃO conseguiram tal benefício, eram trabalhadores do sistema financeiro...
Mesmo assim, durante quatro anos a Família Real de UATI, tentou reverter à decisão daquele "PERITO".
.

A PRIMEIRA, DE MUITAS LUTAS, HAVIA SIDO GANHA...

Marcadores:

 
posted by Lord Sarubiano at 3:07 AM ¤ Permalink ¤


3 Comments: